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Love in Japan

O Japão, uma das grandes potências económicas atuais, possui a terceira maior economia  mundial em PIB nominal ( total: US$ 4769 trilhões) e a quarta maior em poder de compra. No entanto, tal soberania económica corre risco uma vez que se trata do país com a taxa de crescimento populacional mais baixa aumentando, em média, 0,2% por ano.

A queda na natalidade deve-se a um grande fenómeno social ao qual atrevo-me a chamar “contaminação capitalista do humanismo”. Cada vez menos jovens japoneses têm interesse em formar uma família, uma vez que a consideram um obstáculo à sua carreira e à manutenção do seu estilo de vida. Os resultados saltam à vista pois já são vendidas mais fraldas para pessoas acima dos 65 anos de idade do que para bebés.

japan1No entanto, o lado mais preocupante nem sequer se encontra por trás das implicações económicas que o envelhecimento populacional poderá trazer, mas sim na quantidade de locais que fomentam que esta situação piore. Locais descritos pelos cidadãos como os “substitutos do amor”.

Dentro de tais “substitutos de amor” encontram-se, entre outros, os hosts clubs, os cuddle cafes, máquinas espalhadas pelas ruas de Tokyo que vendem cuecas usadas  e uma indústria de brinquedos sexuais vasta ao ponto de conseguir satisfazer qualquer tipo de fetiche imaginável.

Os hosts clubs/ hostess clubs tratam-se de bares dirigidos ao sexo feminino e masculino, respectivamente, onde os clientes pagam entre 80€ a 160€ ( salário médio mensal : 1330.27€) por hora para serem cortejados por um indivíduo do sexo oposto. Os serviços prestados baseiam-se sobretudo em mostrar interesse na conversa do cliente, servir-lhe bebidas ou dançar com o mesmo. Não existe qualquer tipo de contacto sexual  entre ambos, sendo apenas um local no qual podem saciar o desejo de sociabilizar que continuamente reprimem no seu dia a dia. É uma indústria muito competitiva pois os hosts sobrevivem sobretudo graças aos clientes regulares que se apaixonam por tal amor ilusório, chegando estes a pagar quantidades exorbitantes para terem um encontro privado com o seu host favorito.japan2

Por outro lado, em termos de atividades diurnas, dentro da categoria “paid love”, os cuddle cafes são tanto ou mais bizarros que os hosts clubs. Encontram-se direcionados a todos aqueles que após um dia estressante de trabalho desejem ter alguém com quem poder fazer “conchinha”, sem que isso tenha que conduzir a manter uma relação sexual.

Para entrar em tal local é necessário pagar 3000 yen iniciais (20,5€). Após a admissão, existe uma taxação por hora, uma taxa especial se o cliente desejar escolher a sua rapariga favorita e uma ementa de serviços também, como seria de esperar, cobrados à parte.

Serviço convencional (inclui apenas o ato de fazer “conchinha”):

  • 20 min – 3,000 yen/ 20.5 €;
  • 40 min – 5,000 yen/ 34 €;
  • 60 min – 6,000 yen/ 41 €;
  • 2 hs – 11,000 yen/ 75€;
  • 3 hs – 16,000 yen/ 109€ ;
  • 4 hs – 20,000 yen/ 136€;
  • 5 hs – 25,000 yen/ 170.5€ ;
  • 6 hs – 30,000 yen/ 204.5€ ;
  • 10hs – 50,000yen/ 341€.

   
Servi
ços extra:

  • O cliente dorme no braço da rapariga (3 min) – 1,000 yen / 6,82€;
  • A rapariga faz festinhas nas costas do cliente (3 min) – 1,000 yen/ 6,82€;
  • O cliente tem o direito de fazer festinhas na cabeça da rapariga (3 min) -1,000 yen/ 6,82€;
  • O cliente e a rapariga olham diretamente nos olhos um do outro (1 min) -1,000 yen/ 6,82 €;
  • A rapariga troca de roupa (1 vez) – 1,000 yen/ 6,82€;
  • O cliente recebe uma massagem nos pés (3min) – 2,000 yen/ 13,64€;
  • O cliente dorme no regaço da rapariga (3 min) – 1,000 yen/ 6,82€;
  • A rapariga dorme no regaço do cliente (3 min) – 2,000 yen/ 13,64€.

Nota: A descrição dos serviços extra é a tradução literal da ementa que é oferecida aos clientes ao entrarem no cuddle cafe.

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É de salientar que estes são apenas dois exemplos dentro da diversidade de serviços que funcionam como  “substitutos do amor” que podemos encontrar no Japão. Atualmente, com o desenvolvimento da realidade virtual e com as inúmeras possibilidades que os Oculus VR irão possibilitar acredito que as tentativas de combater este fenómeno, culpável pelo envelhecimento populacional desmesurado, tornar-se-ão cada vez mais inúteis, restando-nos apenas o exemplo deste país no ocidente.

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