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Save the Arctic – A corrida às reservas de combustíveis do Oceano Ártico

Jazigo de petróleo ao largo da costa da Gronelândia

Por esta altura já são do domínio comum as alterações climáticas e várias das suas consequências, em particular, o degelo dos glaciares. Sabemos também que a situação usualmente se classifica como grave. No entanto, nos últimos anos, essa classificação poderá ter ganho nova força.

A recorrente perda de terreno dos glaciares face ao oceano tem revelado enormes reservas de petróleo e gás natural que, até recentemente, se encontravam cobertas por milhares de toneladas de gelo. Não é de surpreender que, assim que esta informação chegou à atenção das grandes petrolíferas, se tenha dado início à corrida pela exploração desenfreada das reservas de combustível, corrida esta liderada pela multinacional Anglo-Holandesa Shell e a gigante Russa Gazprom.

De acordo com a US Geological Survey, ao nível mundial, o Ártico detém cerca de 13% do petróleo por descobrir e cerca de 30% do gás natural. Segundo o activista Bill McKibben, numa publicação da Rolling Stone, a acção humana é já responsável pelo desaparecimento de um terço do gelo originalmente existente no Ártico e um aumento de 30% da acidez média dos oceanos devida à absorção de CO2 pela água, processo esse potenciado pela crescente dessalinização da água do mar. Tudo isto funciona como um mecanismo de feedback positivo, visto que o desaparecimento do gelo, por natureza fortemente reflector, dá lugar a terra e água, ambas melhores absorventes de radiação solar que contribui para um aquecimento e, consequentemente, para um degelo ainda mais rápido.

A Greenpeace iniciou, em 2012, a campanha Save the Arctic, que se propõe mover montanhas de modo a pressionar governos e a ONU a fazer do Ártico uma reserva natural protegida contra a exploração de combustíveis fósseis. Os seus principais e incontornáveis argumentos prendem-se com o impacto da exploração na diversidade de espécies animais, em particular o urso polar, com os óbvios aumentos de emissões de CO2 para atmosfera que a exploração implicaria e, acima de tudo, com o risco enorme que parece estar associado a derrames de petróleo.

De facto, perante a pressão feita pela Shell sobre o governo Americano para obter autorização para perfurar na região do Alaska ainda este ano, o Bureau of Ocean Energy Management avaliou a probabilidade de haver um derrame ou mais em 75%. Ainda assim, este número não parece de todo tão absurdo se considerarmos as condições climáticas extremas e imprevisíveis características da zona, e a falta de um conhecimento geológico sólido e convincente da mesma. A receita para o desastre completa-se com a óbvia dificuldade de acesso de pessoas e meios por parte da guarda costeira, caso suceda um eventual derrame.

Empresas como a Shell e a Gazprom operam preferencialmente em silêncio, ao contrário de organizações como a Greenpeace, cujo sucesso depende inteiramente da atenção mediática e de todo o apoio da opinião pública de que consigam dispor, utilizando estes mecanismos como armas para pressionar os governos e as corporações.

Assim sendo, é indispensável mantermo-nos informados de modo a tomar parte activa na defesa da Natureza que nos resta e, consequentemente, de nós próprios.

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