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LUX

LUX é a única curta-metragem  académica portuguesa selecionada para exibição no festival de Cannes 2016 na secção Short Film Corner. A obra realizada por Bernardo Lopes e Inês Malveiro foi produzida pela Universidade Lusófona de Lisboa, onde estudam, e já foi exibida em mais de dez festivais de cinema tanto a nível nacional (Lisboa & Estoril Film Festival), como a nível internacional (World of Film Festival Glasgow)

O Diferencial foi beber café com Henrique silva, antigo aluno de MEEC do Instituto superior Técnico e o Diretor de som e música desta criação.

Diferencial: Fala nos do LUX.

Henrique Silva: Esta é aquela história clássica. O Pedro é um escritor com o processo criativo interrompido e isto não lhe permite fazer nada. O filme é muito simples, foi filmado em película e só tem planos fixos. Posso dizer que, não sendo triste, é muito sombrio e observacional, ao estilo do cinema europeu. Tivemos o cuidado de garantir que cada espetador saísse com uma ideia própria, um conceito que eu acho muito bonito.

Diferencial: Quando aceitaste o desafio sentiste que viria a ter tanta visibilidade? Sonhavas ir a Cannes?

Henrique Silva: Nunca na vida! Nós trabalhámos e demos o nosso melhor na procura de reconhecimento, mas nunca pensei chegar a Cannes. Nunca pensei vir a dar entrevistas por causa de um filme que fiz. Não estava a espera que o filme tivesse este impacto. Fomos a mais de 10 festivais, fomos à Índia, a Glasgow e agora vamos a Cannes. Foi o meu primeiro filme, foi tudo muito experimental para mim, apesar de estar num curso de som, este não é direcionado para o cinema.

Quando começámos a pré-produção do filme, em 2015,não conhecia o grupo de trabalho que tenho hoje. É que nem éramos do mesmo curso. Eu e o Luís, o meu parceiro do crime, tínhamos que fazer o projeto de curso e pensámos juntar-nos à malta de cinema e trabalhar nas curtas finais. Todos os anos há o evento Over And Out, no São Jorge, onde elas depois são apresentadas. Queríamos participar um pouco neste mundo como num projeto de investigação.A realização deste filme tem uma história bonita. Na altura não nos conhecíamos mas tivemos uma química incrível, uma relação de amizade e de trabalho que acho terem sido o segredo do filme.

Diferencial: LUX Road Trip. A ideia de uma viagem de auto-caravana com amigos, ao longo de todo Portugal, é um sonho de muitos jovens. Qual é o plano?

Henrique Silva: A auto-caravana só leva quatro, se pudéssemos íamos os seis ou até mais (risos). O que queremos fazer é arranjar espectadores para este filme. Pensámos “Epa, vamos fazer uma “road trip” por Portugal e mostrar a nossa curta”. Conseguimos arranjar os patrocínios da Lusófona e da Indie Campers e juntámo-nos a outros colegas para realizar este sonho de partirmos à aventura. A nossa viagem começa em Cannes e passa por vários cine-teatros e escolas desde o Porto até ao Algarve.

O nosso país está cheio de cine-teatros que ao longo dos anos se têm vindo a perde. Esta é a forma que nós encontrámos para dinamizar estes espaços enquanto divulgamos o nosso cinema. Nisto, também queremos gravar o percurso e criar uma longa metragem. O cinema português esteve nas ruas da amargura. As nossas obras são muito poéticas, numa altura em que a malta jovem tem o estilo americano muito enraizado. Agora começa-se a ver um renascer do cinema jovem português e, com isso, uma maior apreciação do mesmo. Isto com Cannes muda tudo! Queremos aproveitar esta oportunidade para darmos o nosso contributo.

Diferencial: Saíste do IST para fazer filmes? Se voltasses atrás no tempo até ao teu primeiro ano aqui no campus da alameda o que e que dirias ao teu eu caloiro?

Henrique Silva: Quando entrei no Técnico pensava que queria ser engenheiro. Queria ser engenheiro, o meu pai é engenheiro… era aquela coisa. Entretanto reparei que passava muito tempo a tocar, a ouvir música e, no meu segundo ano, já me sentia infeliz. Não estava a ter sucesso. Falei com os meus pais, o que não foi fácil. A ideia do Técnico é muito segura. Esta área nem tanto. Eu tinha essa noção, mas era a minha paixão. Fui para a Lusófona. Esforcei-me muito, tornei-me monitor assistente e deixei de pagar propinas. Tentei dar o meu máximo. Aprendi tudo de raiz, só sabia tocar guitarra.

Não há nada como uma pessoa fazer aquilo de que gosta. É um ponto comum, mas é verdade. O meu conselho seria seguir aquilo que nos faz vibrar.

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